Aí, do nada, me aparece a notícia de uma sobrinha. Não
consigo imaginar a sensação de ser pai, mas a de ser tio é um pouco confusa e
contraditória: ao mesmo tempo em que é maravilhoso ter por perto uma criança
(uma menina), é também estranha a sensação de estar ficando velho e ser chamado
de TITIO ou TIO. Talvez pelo emprego deste vocábulo como algo pejorativo, vide
“Ficar para Titia”...
Em um primeiro momento rejeitei a idéia. Isso durou poucos
segundos. Em seguida, me veio à cabeça o futuro. Poder brincar com uma boneca
viva, cuidar, encher de vontades. Tê-la por perto o máximo possível, ouvir
juntos DVD’s infantis, cantar músicas, contar historinhas, brincar de tudo
possível, passear, botar para fora a criança que ainda vive em mim. Ao mesmo
tempo existe a preocupação em não ir contra os pais, cuidando da educação...
E começa a expectativa. São tantas as perguntas sem resposta que
aparecem em uma avalanche. Quando chegará? Como será a carinha dela? Será que
ela vai gostar de mim? Quanto dela eu vou conhecer de verdade? Quanto tempo eu
terei pertinho dela? Como será nossa relação?
Talvez a sensação de ser tio tenha, sim, seu peso simbólico.
Certamente, tem peso bem menor que o SER PAI. Mas ao mesmo tempo se confunde,
pelo menos em mim. Acho que pelo desejo de ter um serzinho desses por perto.
Por que, então ao invés de ser tio, não ser um Segundo Pai? Bem-vinda, Laís.
Wagner Ventury

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